Wednesday, October 20, 2004

Cigarro com Vida

estou eu mais uma vez divagando, nos resticios da noite (6h40) e neste momento introspectivo
enquanto desfrutava do prazer de fumar um cigarro, dei comigo a formar teorias acerca da
fragilidade da vida humana, comparando-a com um simples cigarro. sim, pode parecer um pouco
alienada, mas não, para ser sincero, esta instrospecção deve-se também ao efeito de
libertação/liberdade que se consegue atingir através do consumo de substâncias psicotropicas.
então, não fugindo do motivo que me leva a escrever (a teoria/filosofia de mesa de café,fumo
e boa conversa), reparei que a vida é como um cigarro no momento em que travei a primeira
passa deste que estava fumando. vejamos, a vida aparerece como uma ignição, como uma faísca, que nos faz dispertar,
que nos faz acordar e percorrer um percurso, ora, esse momento consigo compará-lo ao acto
de acender um cigarro, o "dar vida a algo inanimado". quando travamos a primeira passa,
tentamos obter o maximo de prazer e continuamos a fazê-lo durante todo o cigarro.
sendo assim, fumar é como gozar a vida, tirar o maior
e melhor partido das nossas vivências, das nossas atitudes, dos nossos dias, ou não fossem estes dois bens de grande
importancia para mim.
Mesmo quando o nosso querido cigarro, está chegando ao fim, à "pica" ou "beata" na gíria de bom fumador,
continuamos a gozar um bom fumo cinzento. a vida é cinzenta por natureza, nós temos que
colori-la, cada um da sua forma, cada um do seu modo, mas é a cor que vemos no fumo cinzento
da vida que nos oferece o sentimento de felicidade no dia a dia e que nos faz continuar, erguer a cabeça, caminhar e
lutar por um dia cada vez melhor.
Quando, o cigarro acaba, quando não há
mais nada para gozar na vida, quando estamos velhos, apagamos...
morremos, prensados contra o chão de forma a esconder os vestigios do nosso objecto de vicio
, que no fundo, é exactamente o q acontece connosco, somos enterrados, as nossas memórias e sentimentos são
subterradas juntamente com a parte fisica que nos prende.
todos os que ficaram em vida, assim como todos os cigarros que nos faltam para
acabar o maço, sabem...que têm o mesmo destino.
e como em tudo neste mundo, lembramo-nos dos nossos "queridos" quando não os temos presentes.
A vida é um cigarro com prazer, a morte, é a traça de querer...e não poder fumar.